É possível voar 500km de paramotor? | Escola Rio Paramotor

É possível voar 500km de paramotor?

Blog | 6 | 6 | 19/06/2021

Até mais do que isso! Mas 500km é uma marca MUITO desafiadora!


O mineiro Erick Oliveira, experiente piloto de paramotor do cenário nacional conquistou a marca de 500km em um voo eletrizante saindo do Estado de Minas Gerais e pousando no Paraná. Confira esse feito e entenda um pouco do voo de paramotor XC, Cross Country - o voo de longas distâncias.


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A partir do desafio de ganhar um chassi novinho do fabricante XC ONE / DUDEK Brasil, onde a proposta era realizar um voo de 500km voando uma asa Dudek, lá foi o Erick planejar sua incrível jornada. Segundo ele, estava sem um bom par de hélices e sem um tanque reserva para esse voo. Foi quando resolveu pedir a ajuda de um amigo para completar seus equipamentos e buscar essa difícil marca.

Equipamentos resolvidos e checados Erick ficou de olho na melhor previsão climática possível, uma boa direção e intensidade de ventos que pudesse favorecer o voo, já para o final de semana seguinte essa previsão confirmaria, inclusive se adiantando. Segundo ele, a tarefa era simples: "google maps, pra traçar o trajeto, combustível extra, água, barrinhas de cereal e muita força de vontade".


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Decolando

Como havia um desafio imposto, Erick adiantou o voo, já na quarta-feira daquela semana estava pronto para decolagem. 6:30AM, vento zero e lá vai! na primeira tentativa, a bolsa que suportava o tanque extra rasgou, fazendo com que o tanque o desequilibrasse e pronto, tombo, Erick foi de cara no chão! Sem machucados ou prejuízos, cancelou a tentativa para resolver esse pequeno problema da bolsa e na quinta-feira estava lá com tudo pronto.

Erick esperou até cerca de 7:00AM mas o vento não entrava. Era muito peso, muita corrida e ele não quis arriscar. Por volta de 8:00AM entrou uma brisa abençoada e então ele decolou!

Voo excelente, rendimento ótimo, velocidade de cerca de 110km/h, se considerarmos que nossas asas voam a mais ou menos 65km/h o vento estava realmente empurrando para valer mas...

Com cerca de 1:30h de voo o motor começou a falhar, segundo Erick deu uma entrada de ar na linha de combustível, ele afirma ter tentado de tudo mas nada resolvia, foi obrigado a pousar, perto da região do pouso foi resgatado por um amigo.

Agora vai!

Na sexta-feira, Erick resolveu o problema de admissão de combustível no motor. Nossos motores 2T são muito sensíveis a admissão de combustível, a bomba de gasolina é um dispositivo frágil dentro da carburação, portanto qualquer mínima entrada de ar ou obstrução é um problema. Ele ainda fez um voo teste para se certificar de que estava tudo ok.

Sábado era o dia!

E lá estava ele com tudo pronto para buscar seu voo, mas e o vento para decolagem? Nada. As 8:30AM foram buscar um local mais alto para tentar absorver alguma brisa que ajudasse a decolagem com todo aquele peso. Só de combustível eram cerca de 30 litros!

Por volta de 9:00h AM Erick decolou, seu amigo Rogério teve problemas técnicos e não conseguiu. Nos primeiros quilômetros Erick pensou em desistir porque como decolou tarde, o voo já estava em horário térmico e muito turbulento. Essa foi a tônica da navegação, muita turbulência. Mas insistiu. Erick relata que esse voo por se tratar de um voo em condições duras, foi muito tenso e desconfortável e que ele pensava a todo momento em desistir, mas teve uma grande força de vontade para permanecer em voo, que o prêmio era uma motivação e tanto e que não seria fácil para ninguém. Erick afirma que o seu maior desafio é a própria mente, tranquilizar o seu psicológico para progredir e assim foi, em um voo de 7 horas!

O voo

Erick me relatou em áudios de whatsapp toda a dificuldade de decolar e navegar com tanto peso, afinal foram mais de 40 litros de combustível na decolagem, uma dificuldade tão grande que era um desafio estar de pé para tentar decolar, o alívio ao sentir que saio do chão foi tamanha.  Me relatou também que o problema de entrada de ar ainda permaneceu em seu motor e que por isso não conseguiu estabelecer uma altitude desejável para esse voo, as entradas de motor eram cuidadosas para a entrada de ar não aumentar.

Erick traçou em google maps sua rota. Ele sabia por onde iria passar, as cidades principais, os grandes centros e suas restrições. Entre as cidades de Maringá e Londrina, dois grandes centros urbanos do interior do Paraná, ele encontrou adversidades para permanecer na melhor rota do vento, o voo foi difícil!

Erick levou 3 barrinhas de cereal, e uma quantidade de aproximadamente 600ml de água. Ele relata que comeu 2 barrinhas em momentos menos turbulentos do voo mas que não bebeu a água, imagine a tensão.

Sua comunicação por celular ocorria com o dispositivo de bluetooth do capacete conectado ao telefone, ele fazia comunicação constante com seu amigo Rogério.

7 horas de voo, gigantescos campos de plantação de cana de açúcar onde Erick se imaginava em sérios problemas de resgate caso precisasse pousar e nosso piloto de Cross passou rumo a sua meta, até chegar na longínqua cidade de Barbosa Ferraz no Paraná, onde precisou buscar um campo de futebol para um pouso suave, nesse momento ele relata só alegria, satisfação e sentimento de superação dos limites, permanecia com todo o peso do motor nas costas e só nesse momento se lembrou de beber um pouco de água.

“Quando eu avistei no aplicativo os 500km marcados, ahhhhh foi demais!! Comemorei bastante!!”

O GPS relata 514 km voados, Erick passou um pouco com receio de por alguma razão a marcação não alcançar os 500km, melhor garantir mesmo.

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O retorno

Erick resolveu fazer esse voo sem resgate e monitoramento de uma equipe em solo. Portanto, 514 quilômetros distante de sua casa, Erick precisou realizar uma verdadeira maratona para seu retorno.
Erick tentou contatos com pilotos locais mas no fim de semana isso foi bem complicado, por fim, conseguiu o auxílio de um piloto local para prosseguir até a cidade mais próxima com uma linha regular até seu estado, foram 2 dias de retorno!

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Algumas dicas importantes para voos de Cross Country:


Prefira esse tipo de voo com outro piloto.

Paraquedas reserva e colete salva vidas em caso de travessias sob a água.

GPS, telefone, rádio, bluetooth carregados e para um voo muito longo power bank.

Algum alimento calórico e água.

Dispositivo de localização do tipo SPOT.

Avise detalhadamente a pessoas em solo o que você vai realizar e por onde vai passar.

Avalie as condições climáticas DETALHADAMENTE por toda a faixa de horário e evite voos tão longos com condições muito fortes, você pode estar com uma grande fadiga em um voo assim. Converse com pilotos locais de onde você vai passar. Não faça como o padre do balão.

Leve dinheiro em espécie, um documento de identificação.

Avalie o espaço aéreo com atenção, não voe em locais de tráfego importante.

Não insista se algo de errado ocorrer ou se você estiver achando as condições para o voo duras demais, você sempre pode refazer esse Cross desde que permaneça vivo!


O voo XC é o voo mais desejado pelos jovens pilotos que chegam ao paramotor. O mineirinho Erick e muitas outras feras são um ótimo exemplo de como podemos realizar esses voos fantásticos com segurança. Parabéns Erick, a Escola Rioparamotor lhe dá os parabéns e assim que você estiver aqui com a gente receberá nossa homenagem, lembre-se:

Apenas Voe!

Comentários

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Erick
ErickFoi realmente um voo desafiador. Obrigado! Apenas voe!
Walisson
Walisson👏
Neomizia Furtado
Neomizia FurtadoAmo pessoas que estam propostas a desafios. Parabéns por este feito isso demonstra sua força de vontade e garra pois assim como na vida nada vem de graça.
Victor Candeias
Victor CandeiasAmei sua historia muito bacano essa aventura.
Rodrigo Monteiro
Rodrigo Monteiro👏
Marcio Braga
Marcio BragaMuito bom! Só precisamos é quebrar a barreira psicológica, sair do ninho pela primeira vez e partir para longe. Depois de experimentar essa sensação, fica impossível parar.👏
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